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"…Eu porém tão fria, mas tão quente que não sabia se congelava ou se derretia."
"Não procure alguém que te complete. Complete a si mesmo e procure alguém que te transborde."
-(Clarice Lispector)
E eu mandei tomar no cu, todos aqueles que falaram que eu não podia ser o que eu quisesse.
Ei garoto, hoje é Halloween. É, eu sei , você já passou dessa idade de pedir doce de porta em porta, mas já que você não quis sair, eu vim aqui te perguntar, o que você vai querer? É, eu sei que costumava te odiar, mas hoje é Halloween, porque não sair um pouco da monotonia? Afinal, dizem por aí que as bruxas estão soltas! Eu prometo que vou despir todo meu orgulho, e deixar jogado no chão do seu quarto, isso enquanto você me faz enlouquecer beijando meu pescoço e aranhando minhas costas, e aí? Já decidiu o que vai querer? Doces, ou… travessuras? Porque não os dois? Quem disse que precisamos escolher? Afinal… nunca fui muito fã de regras, e também acho seu esporte favorito sempre foi quebra-las, então vamos fazer diferente, quebraremos todas as malditas regras essa noite, só essa noite, ninguém sabe, ninguém precisa saber, e aí o que vai querer? Gostosuras ou… travessuras? Raquel Carliste - apenasborrões.
Estava tudo frio… e nem o café quente de sempre podia mais esquentar, talvez umas doses de vodka, daquelas bem forte que te faz ficar fora de si, quem sabe ajudasse. Não havia mais nada; nada nem ninguém que fizesse aqueles olhos brilharem novamente, estava definitivamente tudo morto, quieto e acabado. Apenas a brisa gelada ao dançar pelas costas nuas ainda conseguiam causar suaves arrepios, mas era só isso e mais nada. Nem mesmo as paixões de esquina, aquelas de vagão de metro que te fazem pensar enquanto bebe café em alguma história que sempre termina em morte ou casamento, por 1, 2, até 3 dias, nada. Estava congelado, ainda batia ali dentro, mas apenas por obrigação, apenas pra prosseguir o ciclo chamado viver. Apenas e só. Não havia mais amor, nem dor, era só vazio, vazio de inexistente. Total.
Eu tinha sangue em minha mãos, empurrava meu coração pra dentro do peito, enquanto seus pedaços insistiam em cair, martírio. Palavras que saíram sem dever, eu continuava a apertar cada parte dele com força, me matando, me machucando, me culpando, fazendo doer. Como se isso fosse me tirar a culpa, o peso que eu carregava sobre os ombros, sozinha.
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